sábado, 30 de junho de 2012

Reflorestamento: Todos deveriam ter essa ideia


O guia de turismo Samuel Pedro Basílio, índio da etnia Baré, recupera
voluntariamente áreas degradadas da Floresta Amazônia
Sobrevoar o coração da Floresta Amazônica é estender o olhar por um mosaico de verdes, de uma incrível diversidade de tons e texturas. Da janela do avião – adiante ou atrás, à direita ou à esquerda – a floresta some no horizonte. Pende ora para o verde musgo, ora para o equilíbrio claro-escuro, interrompido aqui e ali por um salpicado de amarelo, um punhadinho de rosa e raros vermelhos.
Nada rouba a impressão de infinito. As áreas ocupadas pelas cidades e pela degradação ainda parecem pequenas face à extensão da floresta. Assim, falar em recomposição da Floresta Amazônica pode soar como algo desnecessário. Sobretudo quando essa é a conversa de um índio que mora em Manaus e trabalha como guia de turismo em regiões relativamente preservadas, no coração da floresta, como o rio Negro e o lago Tracajá.
“Algumas pessoas realmente acham que a floresta é imensa, é infinita. Mas não é verdade. Eu trabalho como tradutor e já acompanhei muitas equipes de reportagem, além dos turistas. Muitos clientes falam da extensão dos desmatamentos e da importância do reflorestamento”, conta o guia de turismo Samuel Pedro Basílio. “Isso me deu outra visão, passei a me preocupar em reflorestar as áreas degradadas.”
Com a orientação do amigo Max Maia, proprietário do Amazon Turtle Lodge, o guia de turismo passou a trabalhar como voluntário em plantios de mudas de árvores nativas. “Conseguimos mudas de castanha, mogno, andiroba e muitas outras árvores produtivas junto ao Horto Municipal de Manaus. Algumas organizações não governamentais também ajudaram e nós ainda começamos a produzir nossas mudas, a partir de sementes coletadas ali ao redor do hotel”, relata Samuel.
A iniciativa já tem três anos e se transformou numa das atividades oferecidas aos hóspedes do lodge, afirma Max Maia. Localizado junto ao lago Tracajá e ao rio Mamuri, a sudoeste de Manaus, o hotel de selva recebe cerca de 1.700 hóspedes por ano, com um mínimo de cinco dias de estadia. “Noventa e nove por cento dos hóspedes são estrangeiros e os poucos brasileiros que vêm são de São Paulo. O plantio de mudas ajuda a recuperar a mata e a fertilidade do solo, especialmente nas áreas onde foram feitas muitas queimadas, em antigas roças nas proximidades do hotel”, avalia.
O hóspede pode escolher entre 30 e 40 espécies de árvores diferentes e fazer o plantio após a trilha de mata. Alguns grupos de estrangeiros, montados por organizações ambientalistas em seus países de origem, já viajam com o propósito de plantar. Estes grupos, então, trabalham mais pesado durante pelo menos dois dias e só depois saem para os passeios.
Com base na experiência adquirida nas cercanias do hotel de selva, Samuel Basílio passou a incentivar outros ribeirinhos a recuperar antigas roças com o plantio de árvores nativas. Na conversa, ele explica as vantagens de replantar nas áreas degradadas, em vez de sair derrubando floresta para abrir novas roças. “Fazemos o plantio tanto em pastos enfraquecidos, onde o capim já não tem vigor e não sustenta o gado, como em áreas de roça degradadas”, conta. Se o ribeirinho dá a autorização para o plantio em sua área, o guia ensina a abrir as covas, adubar, plantar e ainda dá assessoria para a futura manutenção das mudas, que podem levar de 10 a 15 anos para começar a produzir, que é o caso da castanheira.
“Com o passar do tempo, esses ribeirinhos vão se tornar produtores de copaíba, andiroba, castanha. E ainda temos um projeto de plantio de açaí nas encostas”, enumera o índio convertido em plantador de florestas.
*Texto extraído do site National Geographic Brasil

0 comentários:

Postar um comentário

Todos os comentários necessitam de aprovação!

- Sugestões, críticas e/ou elogios escreva para: geografandoemfoco@gmail.com
- Siga no Twitter: @GeoemFOCO ou @Italocvs