domingo, 11 de setembro de 2011

Um pouco de... atualidade: A divisão do Pará


Marcado para 11 de dezembro deste ano o plebiscito decidirá o futuro do estado do Pará. A proposta de divisão do estado paraense levanta muitas polêmicas. Se aprovado no plebiscito a divisão, o Brasil ganhará duas Unidades Federativas novas: O Estado do Carajás e o Estado do Tapajós e ainda continuará existindo o Estado do Pará.
O novo estado de Tapajós ocuparia 58% do atual território do Pará, na região oeste, e Carajás ficaria com 25% , no sudeste paraense. Caso sejam criados, Tapajós terá 27 municípios, com 1,7 milhões de habitantes, e Carajás contará com 39 municípios com 1,4 milhões de pessoas.
Devo lembrar que essa divisão gerará custos milionários para a nação. Para começar, o custo com o plebiscito. Segundo Lewandowski, a Justiça Eleitoral tem orçamento para pagar o custo do plebiscito, estimado em cerca de R$ 5 milhões, mas ele não descarta a possibilidade de necessitar um reforço financeiro. “A Justiça Eleitoral é uma máquina azeitada. Quando demandamos os mais de 3 mil juízes eleitorais e 25 mil servidores, ela responde prontamente. O ideal seria coincidir com as eleições municipais. Mas o Congresso nos impôs o ônus de fazer o plebiscito saindo de eleições gerais e preparando as municipais. Talvez seja preciso um aporte adicional [de recursos]”, afirmou Lewandowski. Já da pra saber o custo que vai ter essa divisão né? Sem contar ainda, se dividido o Pará, os novos custos com mais senadores, novos deputados e dois novos governadores, ou seja, vamos ter mais despesas.
Só pra lembrar, no Pará existe a Serra dos Carajás, onde se encontra nada mais nada menos do que uma das maiores reservas de minério de ferro do país. Então teremos: o Estado do Tapajós, o maior e com o maior índice de pobreza; o Estado do Pará, o menor e o segundo na linha de riqueza; e o Estado do Carajás, com a reserva de minério de ferro (o mais rico).
O Economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Rogério Boueri, afirma que caso os estados de Carajás e Tapajós cheguem a ser criados, eles serão economicamente inviáveis e dependerão de ajuda federal para arcar com as novas estruturas de administração pública que precisarão ser instaladas.
O economista realizou seu estudo considerando os dados mais recentes disponíveis, referentes a 2008, e concluiu que os estados do Tapajós e de Carajás teriam, respectivamente, um custo de manutenção de R$ 2,2 bilhões e R$ 2,9 bilhões ao ano. Diante da arrecadação projetada para os dois estados, os custos resultariam num déficit de R$ 2,16 bilhões, somando ambos, a ser coberto pelo governo federal.
O PIB do Pará em 2008, ressaltou o economista, foi de R$ 58,52 bilhões, e o estado gastou 16% disso com a manutenção da máquina pública. O estado do Tapajós gastaria cerca de 51% do seu PIB e o de Carajás, 23%. A média nacional é de 12,72%. “Nessas bases, não tem estado que se sustente”, afirma Boueri.
Acho que agora dá para perceber quais são os interesses nessa divisão. Por traz de tudo e do discurso lindo e perfeito dos pró-divisão há uma intensa guerra política em busca de novos cargos como senadores, deputados federais e estaduais e mais dois novos governadores, além de "rolar" muito dinheiro. 

Agora, votem ai do lado: O que você acha da divisão do Pará criando o estado do Carajás e do Tapajós?

2 comentários:

  1. Como no Brasil sempre tem alguém ganhando mais, com essa divisão não será diferente né...
    Humm Inteligente vc hein, muito bem.

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  2. Pois é Sara... no Brasil, e na maioria dos lugares do mundo, o que impera é o capital. Infelizmente, se for dividido o Pará, mais uma vez o dinheiro vai pra uma parcela maior.

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